Um dos principios que deixei claro para mim mesmo
quando voltei aos blogs foi trazer alguns bloggers à antena, levando-os a questões,
tal como se fossem um dos muitos campeões a quem já tive o prazer de fazer
entrevistas. E selecionei para primeira cobaia o João Lima, pessoa que mais do
que blogger tem tido um papel muito importante no campo da estatística de
eventos de estrada. Meus amigos, consultar estatísticas é agradável,
produzi-las pode ser penoso e porque motivo alguém se mete de forma louca a
fazer estatísticas para informar uma comunidade que consome mais do que contribui para esse fim?
Perdoa-me João, se me deixares pagar com este tributo
de um post e um dia destes oferecer-te ai uma participação algures num evento,
então peço-te que continues esse trabalho espectacular (e eu que adoro
estatística – tanto interpretá-la como produzi-la).
Quando pensei em fazer entrevistas pensei em fazer um
post de outro género que não este, mas as respostas que o João nos dá a cada
pergunta feita são tão completas e interessantes, que me recuso
determinantemente a cortar uma palavra que seja. Aqui vai...
EB: Quando e porque te iniciaste na vida de blogger?
JL: Desde que comecei a correr, primeira
prova em Março de 2006, notei que as classificações da maioria das provas iam
desaparecendo dum ano para o outro. Ora, as classificações são um documento
histórico precioso e comecei a guardar as que encontrava. Fui criando páginas
de resultados das diversas corridas até chegar uma altura que achei que tal
base de dados, chamemos assim, deveria estar ao serviço e alcance de todos.
Criei então a página JoaoLima.net, estávamos em Fevereiro de 2009. Fui alimentando-a mas faltava algo. A
página eram apenas números, tinha que complementar com sensações. Instigado por
alguns amigos, decidi então em Fevereiro de 2010 criar um blogue cujo nome se baseou
na página que já tinha, JoaoLimanet
EB: Desde quando te dedicas à estatística de atletismo? O que te motivou?
JL: O início, está dado na resposta anterior.
O que me motiva é poder disponibilizar a possibilidade de qualquer atleta, em
qualquer altura, ter sempre ao alcance dum clique toda a informação duma
corrida que decorreu na semana anterior ou há 20 anos. É muito gratificante ver
atletas, muitos nem os conheço, virem felizes agradecer o facto de terem visto
os seus resultados dos últimos x anos.
Claro que todo este trabalho tem um
revés. O escasso tempo livre que disponho. Queria dedicar muito mais tempo mas
exige muita pesquisa, uma constante confirmação de tudo, e encaixar isso com o
tempo de trabalho, familiar, treinos, torna-se complicado. Mas quando se faz
algo por gosto, tudo se arranja.
E é com muito orgulho que vejo neste
momento (e isto são números em constante evolução), que estão 348 provas já
publicadas e com um total de 1.564 classificações completas. Essas 348 provas
originaram 3.511 edições das quais 3.201 estão apurados os vencedores (91,2%).
Tenho em preparação e pesquisa cerca de 200 provas mais.
Para tal, tenho recebido muita ajuda de
bons amigos que disponibilizam os seus dados, ficheiros, documentos e colecção
de revistas antigas. Sem eles, não teria chegado onde já cheguei.
EB: Porque corres sempre de amarelo? Algum significado?
JL: O significado é
simples. Gosto do amarelo! Desde que me conheço que sempre preferi em tudo o
amarelo. Nos primeiros anos de vida, o brinquedo que mais apreciava era um urso
amarelo. Nos jogos de tabuleiro, enquanto uns se guerreavam pela marca vermelha
ou verde, eu queria sempre a amarela, e por aí fora. Porquê? Agrada-me a cor,
apenas isso!
EB: Gostas do trabalho que o jornalismo faz em Portugal na
cobertura do atletismo? Que dicas tens para dar?
JL: Sim e não. Sim, se
estivermos a falar da imprensa especializada que, com grande carolice,
proporciona uma informação exemplar. Não, decididamente não, se falarmos na
imprensa generalista desportiva que de generalista nada tem pois está 99%
focada num único desporto. É mais importante noticiar uma simples conferência de
imprensa dum treinador de futebol após um treino, dizendo que quer ganhar o
próximo jogo (estranho seria o desejo inverso), do que noticiar um grande feito
dos nossos atletas. Nada me move contra o futebol mas sim pelo endeusamento que
fazem dele, secando tudo à volta. Não me consigo esquecer que um conhecido
diário desportivo no dia a seguir a Nélson Évora ter alcançado o ouro em
Pequim, não ter feito qualquer referência na primeira página!
Ficou
curioso sobre João Lima (se é que já não o conhecia)? Porque não segui-lo aqui....